A toninha pertence a uma linhagem muito antiga, surgida bem antes da maioria dos golfinhos. Ao contrário das outras espécies que pertencem a esta antiga linhagem, que ocorrem em rios, a toninha usa as águas costeiras marinhas. O parente evolutivo mais próximo das toninhas é o boto-cor-de-rosa, que vive nos rios da Amazônia. Acredita-se que todas as espécies pertencentes a esta linhagem antiga ocupava os ambientes marinho-costeiros e, com o surgimento dos golfinhos modernos, tenham gradualmente modificado seu hábito de vida, ocupando os sistemas fluviais. A toninha vive em nossos mares há cerca de um milhão de anos. Hoje está à beira da extinção e pode ser condenada pela mão do homem, assim como ocorreu recentemente com o Baiji, ou boto-chinês, que habitava a Bacia Hidrográfica Yang Tze, na China.

Vivem apenas na costa leste da América do Sul, entre o Espírito Santo, no Brasil e o Golfo San Matias, na Argentina. Não é comum a ocorrência de toninhas em baías, estuários ou ambientes mais protegidos. A Baía Babitonga abriga a única população de toninhas que reside durante todo seu ciclo de vida em um ambiente estuarino. Os estudos feitos pela equipe do Projeto Toninhas mostraram que as toninhas não saem da Baía e as toninhas do mar não entram na Baía. As toninhas não ocupam toda a Baía, havendo áreas preferenciais localizadas principalmente na parte mais interna, em meio às ilhas. Além da abundância de peixes, os predadores naturais das toninhas não ocorrem na Baía, como orcas e tubarões. A população de toninhas da Babitonga é a mais bem conhecida no mundo e a área tem se consolidado como um verdadeiro laboratório natural que permite desenvolver pesquisas inéditas sobre a espécie, que contribuem imensamente para as ações de pesquisa e conservação em outras regiões.

Atualmente está classificado como criticamente em perigo segundo a Lista Oficial das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. E segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) a toninha é considerada ameaçada na categoria “vulnerável”. A captura acidental em redes de pesca é a principal ameaça. Pesquisas vêm sendo realizadas para reduzir este problema, incluindo o uso de repelentes acústicos em redes, o uso de redes modificadas e o uso de petrechos de pesca alternativos, como espinhéis. Outros problemas também afetam a toninha de maneira direta ou indireta. A poluição das águas pode contaminar os animais através da cadeia trófica, A sobrepesca reduz a disponibilidade de alimento no ambiente. A poluição sonora, causada por barcos, navios, atividades portuárias e empreendimentos que geram ruídos no ambiente aquático, podem comprometer o sistema auditivo das toninhas, causar stress, ou levar os animais a abandonarem áreas importantes para sua sobrevivência.

BOTO, TONINHA OU GOLFINHO?

São nomes populares e variam de região para região. Uma mesma espécie pode ser conhecida como boto em uma região e golfinho em outra. O fato é que todos os animais que recebem estes nomes fazem parte de um grupo denominado “cetáceos odontocetos”, ou seja, mamíferos aquáticos que passam toda sua vida na água e que possuem dentes (diferente das grandes baleias).

A toninha, por exemplo, é conhecida em algumas localidades como boto-cachimbo, e em outras como boto-amarelo. No Uruguai e na Argentina a espécie também é chamada de golfinho-franciscana. Todas estas designações se referem à mesma espécie, a nossa toninha. Já seu nome científico, Pontoporia blainvillei, é sempre o mesmo em qualquer lugar.

BOTO, TONINHA OU GOLFINHO?
A TONINHA

A TONINHA

A toninha (Pontoporia blainvillei) é uma espécie de pequeno golfinho, descrita pela primeira vez em 1844 pelos naturalistas franceses Paul Gervais e Alcide d'Orbigny. A espécie ocorre apenas na América do Sul, entre o Espírito Santo, no Brasil, e o Golfo San Matias, na Argentina. Como todos os cetáceos, a toninha tem o corpo adaptado para viver no ambiente aquático. A nadadeira dorsal é pequena e triangular e a nadadeira peitoral tem formato de espátula. As fêmeas podem chegar a 1,6 m de comprimento e são um pouco maiores que os machos, que chegam a 1,4 m.

O peso varia de 33 kg para fêmeas e 27 kg para machos. A idade máxima conhecida da espécie é de 23 anos. As principais características morfológicas que permitem diferenciar as toninhas de outros golfinhos são o rostro (“bico”) acentuadamente longo e fino, com mais de 200 dentes e sua coloração, que pode variar entre tons de marrom, cinza e amarelo. Essa espécie tem comportamento discreto e não costumam saltar como a maioria dos golfinhos. Em geral, mostram apenas uma pequena parte da cabeça e da nadadeira dorsal quando sobem à superfície para respirar. Na maioria das vezes o rostro surge primeiro. As toninhas vivem em grupos pequenos, com 2 a 5 indivíduos. Mas é comum encontrar vários grupos ocupando a mesma área enquanto se alimentam.

REPRODUÇÃO E ALIMENTAÇÃO

REPRODUÇÃO E ALIMENTAÇÃO

As fêmeas têm apenas um filhote a cada um ou dois anos e a gestação dura aproximadamente 11 meses. A principal época de nascimentos é na primavera, mas filhotes são avistados durante todo o ano em algumas regiões, como na Baia Babitonga.

Estudos envolvendo a análise de órgãos reprodutivos indicam que esta espécie é monogâmica, ou seja, forma casais durante pelo menos uma estação reprodutiva. A ausência de marcas de agressividade, como mordidas, é um indicativo de que não ocorre disputa física entre os machos.

Os filhotes nascem com cerca de 70 cm de comprimento e mamam até os 9 meses de vida, embora iniciem a ingestão de outros alimentos entre 4 e 6 meses de idade, como camarões, que são mais fáceis de capturar. Ao longo deste período vão aprendendo com as mães a capturar os peixes e lulas, principais alimentos na vida adulta.

Em geral, a toninha come presas pequenos, com cerca de 10 centímetros de comprimento. A dieta da espécie varia ao longo de sua distribuição e os dados indicam que a toninha se alimenta dos peixes mais abundantes de cada região. Na Baía Babitonga seus principais alimentos são pequenos peixes como o cangoá (Stellifer rastrifer), o canguanguá (Stellifer brasiliensis) e a sardinha (Pellona harroweri), além de lulas (Lolliguncula brevis).

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